Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um navio de carga médio pode transportar cerca de 4.500 contentores. Este blog foi visitado 14,000 vezes em 2010. Se cada visita fosse um contentor, o seu blog enchia cerca de 3 navios.

 

Em 2010, escreveu 3 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 47 artigos. Fez upload de 2 imagens, ocupando um total de 72kb.

The busiest day of the year was 29 de junho with 103 views. The most popular post that day was Emos.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram orkut.com.br, google.com.br, unpeusurtout.blogspot.com, google.com e mail.yahoo.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por emos, emo, cabelo emo, menina emo e fotos de emos

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Emos setembro, 2009
67 comentários

2

Reflexão teórica sobre o filme “O Ponto de Mutação” junho, 2010
3 comentários

3

Uma prova de amor setembro, 2009
3 comentários

4

Fábulas de Esopo setembro, 2009
2 comentários

5

Parabéns, mulheres! agosto, 2008
2 comentários

Reflexão teórica sobre o filme “O Ponto de Mutação”

Escrevi uma dissertação sobre o filme “O Ponto de Mutação” como um dos trabalhos de final de curso da disciplina “Práticas Escolares, Diversidade, Subjetividade”.
Ei-lo.

O filme “O Ponto de Mutação” traz à tona um tema de extrema importância para a humanidade: a necessidade de uma nova visão de mundo, diante de uma crise de percepção do mundo atual. Traz reflexão sobre as bases da nossa existência e da integração entre o pensamento e as ações humanas no contexto do desenvolvimento, na busca de um progresso equilibrado e sustentável.

Inicialmente, os comentários dos três personagens sobre diversos assuntos – política, ecologia, tecnologia e futuro da humanidade – nos conduz ao século XVII, fazendo-nos refletir sobre o pensamento cartesiano, que enxerga o mundo como uma máquina e que, para entender o todo, basta desmontá-lo e estudar suas partes isoladamente (metáfora do relógio). Na época, esse pensamento tomou conta da ciência, da arte e da política. Mas enquanto a ciência avança, deixando para trás esse pensamento, a política – e consequentemente a educação – ainda permanece nessa visão mecanicista difundida por Descartes e reforçada pelas leis de Newton.

Enxergar somente as partes, e não o todo, é um equívoco. Pensar que se pode compreender o mundo estudando suas partes isoladamente nos fez chegar a uma crise de percepção do mundo. Essa crise fez com que a humanidade passasse a pensar em seus problemas isolados e não conseguir perceber que fazem parte de um todo: o universo. Embora seja imprescindível conhecer as partes, é preciso que o mundo seja pensado como processos e não como estruturas. É necessário ter uma visão sistêmica do mundo, centrada nas conexões entre as partes do todo. Não se deve olhar para os problemas globais tentando solucioná-los separadamente. Devemos entender as conexões entre eles para depois resolver os problemas.

No mundo moderno, as pessoas se acostumaram a receber conhecimento e informação prontos, no conforto de seus lares e em suas nacionalidades, e pouco pensam que todas as criações e descobertas feitas pelo homem devem ser moldadas, revistas; que somos todos parte de uma imensa teia de relações; que é nossa responsabilidade perceber e prever as possibilidades do futuro; que, antes de tudo, somos os únicos responsáveis por nossos atos e pelos reflexos dos mesmos no universo no qual estamos inseridos.

Se faz necessário uma nova visão de mundo, uma mudança de paradigma, um pensamento que veja o mundo como um todo e, antes de fracioná-lo, entenda sua conexão, sua interatividade, sua integração, sua unidade, seu caráter cíclico, sua continuidade, sua renovação.

Essa nova maneira de ver o mundo tem implicações na educação.

Precisamos pensar com maior relevância a mediação do conhecimento diante de todas as descobertas que nos são impostas e que modificam nosso modo de agir na sociedade, que é parte de uma nação, que é parte de um continente, e tudo está interligado a um sistema maior, que é a humanidade.

A visão sistêmica deve ser integrada à educação. Passamos anos na escola recebendo conhecimento fragmentado em matérias, mas não somos treinados para sermos capazes de reunir esse conhecimento, analisá-lo e chegar a conclusões a respeito desses conceitos. É necessário que as redes de ensino hajam de forma interdisciplinar, sendo trabalhadas como uma teia ligada a diferentes disciplinas, a fim de estudar um fenômeno. Por exemplo, tratar um problema como o da poluição de um córrego e desenvolver os conhecimentos – matemáticos, a língua portuguesa, a história, a geografia, os diversos conteúdos de ciência, as atividades de artes – com o objetivo de levar aos alunos a consciência das causas da poluição; a conhecer a história da ocupação daquele local pelo ser humano; a buscar o conhecimento de todos os agentes sociais envolvidos no problema e suas responsabilidades sociais e éticas; a avaliar as consequências para a saúde das pessoas e para o meio ambiente; a procurar caminhos sociais e políticos para a resolução do problema e para a melhoria da qualidade de vida etc[1].

Aderir a um novo paradigma na forma de pensar os conhecimentos (mostrando a inter-relação entre as disciplinas, por exemplo) é o caminho para compreender o mundo de forma correta. Somente dessa maneira é que conseguiremos entender e solucionar os problemas do mundo atual e viver uma vida saudável e plena.

______________________________________________________________

[1] Exemplo retirado de ARAÚJO, U.F.; PUIG, J.M.; ARANTES, V.A. (Org).Educação e valores: pontos e contrapontos. São Paulo: Summus, 2007, p. 39.

Estresse metroviário matinal

Eu estava indo trabalhar hoje de manhã, no metrô, um tanto sonolento, até que uma cena me fez despertar.

Era 8h23 (eu tinha acabado de olhar no relógio). Eu e mais um monte de pessoas esperávamos o trem na plataforma da estação Ana Rosa. O trem chegou, eu entrei e, logo em seguida, uma mulher de uns 30 anos, muito bem arrumada e maquiada, também entrou, mas ficou parada na porta, dificultando a entrada das demais pessoas.

Uma outra mulher, com um palm top na mão, também aparentando uns 30 anos e também muito bem arrumada, ao se deparar com o obstáculo humano na porta, protestou:

- Você poderia sair da porta pra gente poder entrar?

Mostrando-se muito irritada, a mulher que havia parado na porta respondeu:

- Ah! Eu vou descer na próxima estação!

- A maioria aqui também vai descer na Brigadeiro. Olha como o corredor está vazio - argumentou a mulher do palm top, com muita calma.

- Se você quer ir para o corredor, então vai!

- Eu bem que gostaria, mas não dá porque você ficou parada na porta – justificou a mulher calma.

O trem partiu e ficamos bem próximos à porta: a mulher irritada, a mulher calma e eu. E a discussão continuou:

- Eu estou grávida e não estou nada bem! Não encoste na minha barriga! – Exclamou a mulher irritada.

- Eu não encostei na sua barriga. E se você não está bem, o problema não é meu.

- CALA A SUA BOCA QUE HOJE EU NÃO ESTOU NADA BEM! – Gritou a grávida, estremamente nervosa.

- A boca é minha e eu calo se eu quiser. E eu não quero calar. Você está errada e não tem educação – revidou a mulher calma.

Devido à minha proximidade em relação às duas mulheres, fiquei apreensivo, com receio de que as duas mulheres começassem a se agredir. Mas a discussão parou e todos ficamos de frente pra porta. “A irritadinha se tocou”, pensei. Mas eu estava enganado.

Assim que as portas do trem se abriram na estação Brigadeiro, a grávida bateu forte com as duas mãos nas costas da mulher calma, fazendo-a cair no chão da plataforma da estação, o palm top voando longe. Não satisfeita, a grávida estava partindo pra cima da mulher calma, que ainda estava no chão. Mas eu a impedi.

Por trás dela, segurei os dois braços e os dobrei em direção ao abdome, imobilizando-a.

- ME SOLTA! ME SOLTA QUE EU VOU DAR NA CARA DESSA VACA!

- Não, você não vai porque você está errada – falei, enquanto eu a arrastava em direção à escada rolante.

Todos os usuários do metrô observavam a cena. Olhei pra trás e vi que duas pessoas estavam acudindo a mulher que estava no chão. Nisso, a grávida conseguiu se desvencilhar dos meus braços e voltou gritando ensandecida em direção à mulher que estava se levantando.

Eu a segurei e prendi seus braços novamente, com mais firmeza, enquanto ela gritava que queria bater na outra.

Arrastei-a em meio à multidão que esperava para subir a escada rolante e dei um leve empurrão, deixando-a no primeiro degrau, já em movimento:

- Agora vai! – ordenei.

Ela olhou pra trás, viu que o caminho pra voltar estava obstruído e então desistiu da agressão. Subiu as escadas pisando forte.

Olhei pra trás novamente e vi que a mulher calma estava bem, já em pé e andando normalmente. Enquanto eu subia as escadas, as pessoas que passavam me olhavam, curiosas.

E fui trabalhar.

. . .

Agora eu fico me perguntando:

- E se eu não tivesse segurado a mulher?

- O que leva alguém a chegar a esse ponto por conta de um desentendimento no metrô?

- Cenas como essa não desencorajam as pessoas a lutar pelo que é certo?

- As pessoas não vão pensar duas vezes antes de pedir licença a uma pessoa que fica parada na porta impedindo a passagem?

- Qual é a responsabilidade do metrô nisso tudo?

Enfim… era o que o que o metrô tinha pra oferecer hoje.

Avatar

Quando você acha que já viu de tudo no cinema, aparece Avatar. Aí você descobre que estava enganado.

Férias

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“Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.”

Friedrich Nietzsche

Preste atenção

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Polêmica

A aula era de Política e Organização da Educação Básica no Brasil. A professora pediu que os alunos se dividissem em seis grupos e propôs um exercício: entregou duas fotos para cada grupo discutir quais indicadores humanos (renda mensal, taxa de urbanização, escolaridade, taxa de fecundidade, entre muitos outros) poderiam ser aplicados de acordo com o que era mostrado nas imagens. A segunda parte do exercício era mostrar para a classe as fotos e comentar sobre os indicadores que o grupo identificou.

Um dos grupos recebeu duas fotos com crianças. Uma das fotos mostrava crianças trabalhando e a outra mostrava crianças num parquinho. Eis a segunda foto:

crianças

Depois de o grupo apontar os indicadores relacionados às fotos, a professora perguntou se o grupo achava que também era possível aplicar algum indicador relacionado à renda. E um aluno (branco) respondeu:

- Eu acho que não, professora, porque em nehuma das duas fotos tem crianças das classses A e B, por exemplo. Aparentemente, são todas de classes mais pobres.

Uma aluna (também branca), de outro grupo, comentou:

- As crianças da segunda foto estão brincando. Só porque elas são morenas não quer dizer que elas não sejam da classe A e B. Não dá pra afirmar isso. Isso é preconceito!

Pronto, a polêmica foi criada. Vários alunos se manifestaram – inclusive eu – defendendo um ou outro ponto. O aluno defendia seu ponto de vista:

- A foto é de um lugar fechado. Provavelmente uma creche ou orfanato. Não se trata de um playground de um condomínio fechado ou de uma praça, por exemplo. E eu acho que o fato de as crianças serem morenas também é um indício de que elas sejam de classes mais pobres, sim. A professora acabou de falar sobre o sistema de cotas nas universidades. É comprovado que, no Brasil, não dá pra dissociar a questão financeira da questão da cor/raça. É só olhar pra nossa classe mesmo. Quantos de nós somos morenos ou negros?  A maioria ou a minoria? Isso é falso moralismo, isso sim!

A maioria da classe parecia ser contra a opinião do aluno. Eu não.

Se mostrarmos essa foto para 100 brasileiros e perguntarmos “você acha que as crianças da foto pertencem às classes A e B ou às classes D e E?” o que eles responderiam? Eu, imediatamente, responderia que são crianças da classe D e E. Não vejo preconceito nisso. Concordo com o aluno. Isso é uma constatação, e não um conceito pré-formulado sem conhecimento mais aprofundado (preconceito) sobre crianças morenas.

Antes de acusar alguém de estar sendo preconceituoso, que tal refletir sobre você mesmo não estar usando de falso moralismo?

Uma prova de amor

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Esta semana fui ao cinema assistir Uma prova de Amor (My sister’s keeper – 2009), dirigido por Nick Cassavetes e com Cameron Diaz, Abigail Breslin e Alec Baldwin no elenco (veja o trailer aqui).

O filme é uma adaptação do livro homônimo, de Jodi Picoult, que conta a história de uma menina com leucemia. Como nem os pais nem o irmão são compatíveis, um médico sugere que os pais concebam um outro filho, em laboratório, com as características necessárias para se tornar doador. E assim nasce Anna.

Porém, quando Anna está com 11 anos, ela processa seus pais para que eles parem de retirar órgãos e estruturas de seu corpo para doar para a irmã, que agora precisa de um rim. Esse é o ponto de partida do filme, o divisor de águas, o revelador de verdades escondidas, o desmoronador da estrutura familiar.

Não se trata apenas de uma questão de ética (ter um filho projetado em laboratório para ser doador) ou de uma decisão difícil e inusitada (processar os próprios pais). O filme desperta reflexões sobre temas mais profundos: Com 11 anos, Anna pode ser considerada dona de seu próprio corpo? Isso é mais importante do que a saúde de sua irmã? Uma mãe tem direito de abrir mão do casamento e do trabalho para viver em função de uma filha doente? Como seu marido e seus outros filhos se sentem com isso?  O filme não responde a todas essas perguntas, mas nos faz refletir sobre elas e sobre nossa vida.

Fazia tempo que um filme não me emocionava tanto.

Recomendo.

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Fábulas de Esopo

Os Dois Amiguinhos

Uma vez uma garça adotou um filhote de tigre órfão e criou o bebê junto com seu próprio filho. Os dois viraram grandes amigos, e todo dia faziam a maior bagunça, sem jamais brigar. Na realidade, eram as crianças mais boazinhas do mundo.

Um dia apareceu outra garça que era uma encrenqueira; essa garça tratou muito mal o bebê garça. O bebê garça pediu socorro, e o tigre veio correndo: num instante engoliu a encrenqueira. Só ficou um ossinho e um punhado de penas para contar a história. O tigre, que tinha sido criado num regime vegetariano, achou aquela comida diferente uma maravilha. Lambendo os bigodes, piscou o olho e disse:

– Eu te adoro, minha pequena garça!

E zás, lá se foi sua companheira de brincadeiras servir de sobremesa para o piquenique improvisado.

Moral: Nada elimina o que a natureza determina.

Moral II (by Roger): Por mais que tentemos contrariar a natureza, sempre vai ter um fdp pra nos atrapalhar.

 

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