Escola

Ontem, depois do serviço, fui a uma escola pública para saber se poderia fazer estágio lá. Escolhi essa escola porque fica perto de casa e porque tem ensino médio à noite.

Eu já tinha ligado antes e me informaram que eu deveria falar com a diretora da escola, na parte da noite. Cheguei lá às 18h30 e a diretora não estava, mas a funcionária disse que ela já estava chegando, que eu podia aguardar.

Eu aguardei. E enquanto aguardava, algumas coisas interessantes aconteceram.

Bem próximo a mim, num corredor estreito que dava acesso à secretaria e à sala da direção da escola, um professor de Educação Física chamou dois alunos para conversar mais reservadamente. Os alunos aparentavam ter cerca de 13 anos de idade e um deles estava chorando. A mãe e o irmão do aluno-chorando acompanhavam a conversa, assim como o pai do aluno-não-chorando também.

O aluno-chorando reclamava que não era obrigado a gostar de futebol, que não queria jogar e que o aluno-não-chorando tinha xingado ele de “bicha”.

O aluno-não-chorando reclamava que o aluno-chorando tinha tentado agredi-lo.

O professor, exageradamente paciente, explicava que os alunos não deviam agir daquela maneira, que o aluno-chorando tinha que participar de todos os esportes, que o aluno-não-chorando não podia xingar o aluno-chorando e que esse último não podia agredir o outro e blá, blá, blá…

O pai do aluno-não-chorando, impaciente, cortou a conversa dizendo que tinha compromisso e levou o filho. A conversa, então, passou a ser entre o professor, o aluno-chorando, a mãe e o irmão. A mãe pedia pro professor não obrigar o filho a jogar futebol. O professor disse que ia encontrar uma forma de resolver aquilo e que talvez reduziria a quantidade de aulas com futebol. Isso fez o irmão mais novo se irritar, porque ele gostava muito de futebol. E assim terminou a conversa.

.

Minutos depois, um rapaz aparentando ter 18 anos chegou e se dirigiu ao guichê da secretaria. Como eu não tinha o que fazer, não pude deixar de ouvir parte da conversa:

– Aqui consta que você evadiu do curso e se rematriculou no ano seguinte. Depois você evadiu de novo e se rematriculou de novo.

– Aham.

– E depois teve outra evasão e uma terceira rematrícula!

– Isso.

– Foi nessa escola que você concluiu a oitava série?

– Não me lembro, mas acho que foi.

Me surpreendi em saber que existe gente tão desinteressada com os estudos.

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A diretora, muito simpática, chegou meia hora depois e disse que eu poderia fazer estágio naquela escola, sim, mas que no horário noturno só tem supletivo, não tem ensino médio regular.

Cheguei em casa meia hora mais tarde, mas com um pouco mais experiência do universo escolar.

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